BIODIVERSIDADE DE FLORIANÓPOLIS EM RISCO PELA DISSEMINAÇÃO DE ESPÉCIES EXÓTICAS INVASORAS

Notícias 19/06/2015

Militantes ambientalistas, representantes comunitários, organizações  da sociedade civil, vereadores e funcionários de órgãos governamentais participaram de audiência pública sobre a retirada dos  Pinus, Eucaliptus e Casuarinas da cidade Florianópolis, quinta-feira, 18 de junho, na Câmara Municipal.

As duas espécies vegetais são exóticas e invasoras, as Casuarinas são originárias da Austrália e o Pinus é da América do Norte e foram trazidas ao Brasil, em um processo de intrusão irresponsável a partir dos anos 1950. Estas espécies danosas à fauna nativa são a segunda maior causa mundial de redução da biodiversidade, só ficando abaixo da degradação produzida para a exploração humana do meio-ambiente. Em 2012, foi lançada uma lista com cerca de 150 espécies invasoras no país, consideradas pragas, quando passam a se favorecer da degradação ambiental, ganhando espaço, em detrimento da flora nativa.

O Parque Estadual do Rio Vermelho  foi o local mais citado na discussão da remoção, sobretudo, por ter sido local de experimentação com o plantio dessas espécies e por possuir hoje a maior concentração, mas a retirada deve acontecer em toda a cidade. As áreas de restinga são as mais afetadas e impactadas por esta invasão e proliferação, por suas características, como o reduzido número de árvores, a vegetação predominantemente rasteira e também por ser um  ecossistema já em avançado estágio de degradação. A disseminação acontece principalmente através do agente eólico, potencializada durante os meses mais secos de inverno, segundo a professora e membro do Instituto Hórus de Desenvolvimento e Conservação Ambiental, Silvia Ziller que falou com propriedade e expôs didaticamente a necessidade de combater a presença das espécies nocivas.

Apenas a erradicação  das espécies exóticas não resolverá a crise de biodiversidade em Florianópolis, sem o combate ao desmatamento, outras formas de degradação e recuperação de áreas. Há mais de 15 anos a inserção de espécies exóticas em áreas de Unidade de Conservação é ilegal e, em 2012, uma Lei Municipal aprovada proibiu o cultivo das espécies dentro da cidade. O vereador Pedrão lembrou que é necessária a articulação de uma estratégia para efetuar a retirada das árvores de propriedades particulares. Procedimento importante para coibir a disseminação, já que as sementes podem contaminar outras áreas.

Umas das ideias que surgiram na audiência foi uma possível política de oferecimento de mudas de árvores nativas, como a Aroeira, em troca da retirada das espécies de propriedades particulares. Para conscientizar, também deverá ser elaborado um plano de comunicação com a comunidade.

O vereador Lino Peres defendeu a participação da comunidade no desenvolvimento e discussão dos planos de manejo das Unidades de Conservação, já que as áreas de proteção ambiental  não são isoladas da vida cotidiana da população. Segundo a Lei da Mata Atlântica, de 2006, os municípios são os responsáveis pelo gerenciamento da questão sobre espécies exóticas. 

Em relação à Retirada dos Pinos que hoje cobrem 600 hectares do Estadual Parque do Rio Vermelho, o diretor Márcio Luiz Alves, FATMA defende que a destinação dos recursos da venda da madeira, cujo serviço de remoção e transporte que ainda não possuem uma licitação aberta, devem permanecer com a própria Unidade de Conservação para melhorias. Também destacou que será necessário trabalhar com o impacto visual que a retirada das árvores possa causar aos olhos dos moradores, que podem, erroneamente, interpretar a medida como desmatamento. Cid Neto, geógrafo, Presidente da Associação Coletivo UC da Ilha e assessor do Mandato Vereador Lino Peres, destaca que existe vegetação nativa entre as exóticas e que é essencial que a retirada seja executada de forma gradual e com um plano para acelerar a sucessão florestal.

O Vereador Lino Peres reforça que: “A FLORAM tem uma grande responsabilidade, mas falta estrutura e pessoal para o trabalho, apesar do esforço de muitos  técnicos do órgão. A Comissão do Plano de Ação para retirada dos invasores foi criada pelo município com atraso, mas é muito bem-vinda. A partir dela poderemos montar equipes multidisciplinares com ampla participação da sociedade civil organizada”.

Mais informações sobre as espécies exóticas invasoras no site do Instituto HORUS: http://www.institutohorus.org.br/