ARTIGO DO VEREADOR PRO LINO PERES NO DIÁRIO CATARINENSE

Notícias 04/09/2017

ÁREAS VERDES DE LAZER NA LÓGICA DO MERCADO

Cerca de 70% da capital catarinense está em uma ilha conhecida por suas belas paisagens e a fragilidade de seu ambiente. Mas poucas são as Áreas Verdes de Lazer (AVLs) acessíveis e equipadas para a população aproveitar o contato com a natureza. Elas deveriam estar previstas no Plano Diretor em vias de ir para a Câmara de Vereadores. O problema é que a Prefeitura não está prevendo essas áreas de forma adequada.

Portanto, é precária a situação das áreas com características ambientais importantes, que deveriam ser protegidas. A Prefeitura propõe AVLs somente em áreas públicas, para que não haja aquisição de novos espaços ou necessidade de indenizar depois aquelas localizadas em áreas particulares. Isso significa uma redução considerável de áreas verdes necessárias em relação à população da cidade, e assim a Prefeitura abdica de seu dever constitucional de planejar o futuro dos espaços públicos de natureza social e coletiva.

Bairros como Serrinha, Trindade, Agronômica, Itacorubi e todo o Continente são muito carentes de praças para lazer. Neste último, com um terço da população total, o índice de área verde de lazer é de menos de 1 metro quadrado por habitante, quando o recomentado é 15, segundo a Sociedade de Arborização Urbana Brasileira.

Sem investir em AVLs, a Prefeitura incentiva então o projeto Adote uma Praça, com dinheiro privado, mas, em vários casos, a preocupação é mais com a propaganda da empresa do que com o bem-estar dos moradores, que pouco se envolvem no processo. Muitas vezes, o resultado final valoriza o empreendimento e exclui usuários antes cativos. A participação popular é imprescindível para que os cidadãos se apropriem destes equipamentos e o utilizem para melhorar sua qualidade de vida.

O Plano Diretor deve definir as AVLs conforme os desejos e demandas da população e não com uma visão somente econômica da cidade. A função do Executivo, afinal, é garantir qualidade de vida aos moradores, fazendo um planejamento urbano responsável e que não pense apenas nos problemas de curto prazo.