UMA TARDE ENSOLARADA E VERMELHA RESSUSCITANDO A ESPERANÇA

Notícias 27/03/2018

Crédito de imagem: Matheus Haddad

Sob um sol ardente de outono, uma multidão de mais de 11 mil pessoas coroou a tão esperada vinda do companheiro Luiz Inácio Lula da Silva a Florianópolis, no dia 24 de março de 2018. Eu estava lá e lembrei do ano de 1989, quando Lula veio aqui como candidato à presidência, daquela vez chovia torrencialmente e ele nos dizia que eram lágrimas de emoção que se derramavam. Assim como há 30 anos, neste último sábado a canção “Lula lá” embalava a multidão nas ruas do centro da cidade. Todas e todos cantávamos sem temor algum, gritando por liberdade e democracia, abaladas nesses tempos sombrios de Estado de Exceção

Eu me sinto contemplado pela nota de avaliação da Executiva Municipal do PT que parabenizou a militância e destacou que o ato Lula pelo Brasil em Florianópolis foi “a mais linda imagem de que o povo de nossa cidade quer a volta da democracia ao país” e que “as pessoas que estavam lá mostraram que o jogo está virando e que o grande anseio de todas(os) é de que Lula seja candidato, seja eleito e revogue todos os atos do golpista Temer”.

A programação do dia começou com uma reunião na Assembleia Legislativa do Estado (Alesc) para debater a importância da educação pública e de qualidade, assim como a autonomia acadêmica e científica das instituições de ensino. Acompanhamos Lula no encontro com estudantes, professoras(es), servidoras(es) e reitoras(es) dos Institutos Federais de Santa Catarina (IFSC), que cresceram vertiginosamente nos governos petistas, saltando de apenas 8 para 48. Além da expansão inédita das universidades federais (IFES), com ampliação sem precedentes de bolsas de estudos, instalações e recursos para pesquisa. Todos esses dados foram debatidos e reafirmados para fortalecer a nossa luta pela recuperação das conquistas duramente interrompidas com o governo golpista de Temer.

Aproveitei a ocasião para perguntar ao deputado federal Paulo Pimenta sobre o ataque que grandes proprietários de terra cometeram contra a caravana bloqueando com máquinas agrícolas, muitas delas financiadas pelo governo petista, a estrada que levava à cidade de Paço Fundo (RS), onde estava marcado um ato com a presença de Lula. Depois, conversei o professor Fernando Haddad, ex-ministro do governo Dilma, que assinalou os principais pontos programáticos do plano de governo de Lula, do qual ele faz parte. (Ver as duas entrevistas no final da mátéria)

Eu pude acompanhar Lula no ônibus que o transportou da Alesc até o Largo da Catedral, onde o esperavam milhares de pessoas, em um mar de bandeiras vermelhas. Pudemos assistir a um Lula guerreiro que destacou várias vezes sua inocência e o quanto tem sido perseguido por um processo judicial que não conseguiu comprovar sua culpabilidade. Vimos aquele Lula que toca nossos corações e mentes, elevando nossa alma desvalida por tantos golpes espúrios, como foi a reforma trabalhista, a aprovação da PEC que aprovou o congelamento dos recursos para Educação e Saúde por 20 anos e outras medidas regressivas.

Lula incendiou nossas mentes e corações, como tem feito nas tantas viagens pelo país. Depois, partiu naquela  mesma tarde de sábado para Chapecó, onde ocorreu outro ato massivo. No domingo seguiu para São Miguel do Oeste (SC), último destino em terras caterinenses. Ao longo desta semana, ele percorreu cidades do Paraná e amanhã chegará em Curitiba, para o ato de encerramento desta jornada em defesa da democracia e do direito de concorrer às eleições presidenciais, em outubro.

Todas as caravanas têm mostrado que somente o povo nas ruas é que consegue parar o rolo compressor do judiciário que, junto com a mídia hegemônica que distorce os fatos e mente, com um Congresso formado em sua maioria por golpistas, vem implantando o Estado de Exceção. Mas, como tenho assinalado na Tribuna da Câmara Municipal de Florianópolis, o que está em jogo não é a corrupção, embora deva ser apurada devidamente, respeitando-se a Constituição, e sim o que os impérios, principalmente o estadunidense, querem na América Latina e principalmente no Brasil: a riqueza mineral, o petróleo, com a apropriação do pré-sal, o sistema Eletrobrás com sua privatização, o Aquífero Guarani e tantos outros recursos, destruindo nossa soberania nacional. Para este projeto geoeconômico, qualquer governo que desvie desses objetivos será golpeado, como foram os governos de Lula e Dilma, que buscaram distribuir a renda e implementar um governo popular.

 

 

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