VALDEMAR LIMA FALA SOBRE O MOVIMENTO DOS MUSEUS CONTRA A PRECARIZAÇÃO

Notícias 28/09/2018

Movimento em dos Museus e contra a precarização da educação e da Cultura

No dia 18 de setembro, estudantes de museologia, professores ativos e aposentados, técnicos do Departamento de Museologia da UFSC e representantes de sindicatos realizaram ato no Largo da Alfândega para chamar atenção da opinião pública e poder constituído para o desmonte da educação e da cultura nesse pais simbolizado pela precarização e pela destruição dos nossos museus, espaços de memória. O vereador Prof. Lino Peres, arquiteto e atento à questão do patrimônio cultural há décadas, estava presente. 


Fizemos uma entrevista com  professor Valdemar Lima. museólogo e professor do curso de museologia da UFSC, que segue abaixo:

"A nossa intenção foi a de dar visibilidade para os nossos espaços de memória e para essa questão do desmonte e da cultura no país. Como encaminhamentos tiramos: a criação de uma página no facebook para divulgar as nossas ações e o que os museus estão fazendo, seus documentos e suas iniciativas de articulação política contra a ABRAM (Pec 250 e Pec 251) e o fortalecimento do IBRAM; Moção de apoio aos museus, a essas instituições que estão passando por esse processo de precarização; uma audiência pública a convite do professor Lino, que nos ofereceu esse espaço para que possamos verbalizar nossa indignação, importante que tenhamos uma voz parceira, solidária nessa nossa luta. Ficamos felizes que podemos contar com o professor Lino que, além de parlamentar, é um grande educador." - Valdemar Lima

Ouvimos na manifestação muitas referências aos museus. O recorte do movimento é em defesa dos museus?

É, sobretudo, em defesa dos museus. Mas museus aqui entendidos não pura e simplesmente como sendo aquelas instituições que tradicionalmente a gente conhece que é prédio, acervo e público. Mas toda e qualquer iniciativa de memória que o povo brasileiro tenha, porque podemos pensar em iniciativas que não são consideradas museus tradicionais. Os pontos de memória, por exemplo, que são espaços ocupados pelos grupos LGBTs, indígenas, quilombolas ,não são consideradas museus tradicionais. Mas são espaços legítimos de memória e também são respeitados dentro do Estatuto de Museu como categoria museu.

E como você analisa o contexto florianopolitano? Qual é a situação dos museus na capital?

A situação dos museus em Florianópolis começa com a falta de articulação entre esses museus. A gente não tem, por exemplo, uma rede de articulação. Não sabemos o que está acontecendo nesses museus. E uma outra questão também é a precarização desses espaços que ou não tem um projeto de gestão de qualidade ou não tem profissionais eficientes para dar conta das demandas e não há espaço para os estudantes estagiarem. Estes são poucos e são exíguos os espaços de estágio para os estudantes.

O que inviabiliza a formação do profissional museólogo voltado para o perfil da cidade. Por que esse profissional museólogo  começa  conhecendo esses acervos, esses espaços e  capacitando-se a partir desse processo de estágio,  para, mais tarde, serem trabalhadores desses museus além do próprio cenário museal da cidade. Há um problema muito grande com os museus do Brasil e notadamente de Florianópolis, que é a falta de  projeto museológico previsto pelo Estatuto dos Museus, documento que é  ordenador, gestor e administrador dos museus e que muitas vezes  é deixado de lado pelas instituições, não necessariamente por irresponsabilidade delas, mas  por que elas perdem tanto tempo apagando incêndio e atacando questões emergenciais. Não há um tempo de qualidade para sentar e politicamente construir esse documento que é coletivo e é fundamental para a gestão dos museus.

E agora a manifestação vai para qual lugar?

Vamos dar uma volta pela cidade para chamar a atenção das pessoas e fazemos mais uma outra discussão,  na universidade,  que contará com outras pessoas, outros profissionais interessados com o tema dos museus, notadamente, o museu de arqueologia da UFSC, que foi o grande mote dessa mobilização. A gente tem que  aproveitar para chamar a atenção para o estado de precarização do Museu  de Arqueologia e Etnologia. Lembrando que este museu não é da museologia, é o museu da Universidade Federal de Santa Catarina.

Nós temos pesquisas e trabalhos científicos desenvolvidos lá. O nosso movimento é apoiado por vários setores da UFSC. Precisamos nos unir em torno do fortalecimento desse espaço importante que é um espaço político, de memória e de acesso para que as pessoas possam trabalhar  e experenciar a educação de forma empírica.